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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Vírus de internet banking que explora celulares rouba US$ 47 milhões

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Eurograbber engana usuários para que baixem o vírus bancário Zeus. O scam também consegue contornar a barreira de segurança dos números de autorização de transações
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Durante o ano passado, cerca de 30 mil clientes de bancos europeus foram roubados em um total de cerca de 36 milhões de euros - quase 47 milhões de dólares - por conta de um scam de internet banking que atua explorando dispositivos móveis, de acordo com informações de uma empresa de segurança que investigou a operação.

Scam é golpe em que a vítima recebe um e-mail que parece ser de uma empresa verídica, mas é falso e redireciona a vítima a um site malicioso. O scam foi nomeado de "Eurograbber" pelas empresas de segurança Check Point Software Technologies e pela Versafe, que disse que descobriram sobre a operação por meio de instituições financeiras depois que seus clientes de serviços bancários online foram atingidos.

O Eurograbber tipicamente engana as vítimas para que elas realizem o download de uma variante personalizada do Zeus. O vírus, então, assume o controle de seus computadores e intercepta as sessões bancárias online.

O usuário pode ser vítima do Eurograbber enquanto navega na Internet ou pelo recebimento de e-mail phishing (e-mails falsos que redirecionam usuários a sites comprometidos) afirma o diretor de produtos IPS da Check Point, que ajudou a investigar o Cavalo de Troia.

"É basicamente um ataque man-in-the-middle contra um site bancário", disse Burkey, acrescentando que acredita-se que o scam seja parte de uma operação criminosa da Ucrânia - país onde está localizado o servidor de comando e controle do vírus, interceptado por uma organização europeia de aplicação da lei, com a cooperação do provedor.

Um ataque "man-in-the-middle" (MitM) é aquele em que um intermediário intercepta a comunicação entre dois sistemas, como entre um PC e usuário.

O Eurograbber foi identificado pela primeira vez na Itália, depois se espalhou para a Alemanha, Holanda e Espanha, e atacou ambas as contas comerciais e individuais de 30 bancos, de acordo com a Check Point e a Versafe.

O Cavalo de Troia pode transferir ilegalmente fundos de contas bancárias de clientes em valores que variam de 500 a 250 mil euros. E embora tenha havido diversas fraudes bancárias nos últimos anos, o Eurograbber atingiu as empresas de forma que superou as medidas de segurança dos bancos baseadas no envio do chamado "número de autenticação da transação" (TAN) via SMS para o dispositivo móvel do cliente.

O TAN é uma medida de segurança via SMS que tem por objetivo permitir ao cliente do banco verificar a transação bancária online que ele, de fato, autorizou - mas o Eurograbber comprometeu isso também.

Durante a primeira sessão depois de ter o computador infectado, o malware injeta instruções na sessão do usuário que solicita ao cliente que ele digite o seu número de telefone. Depois disso, a vítima é convidada a realizar uma atualização falsa de software de segurança bancário e, para isso, ela deve seguir as instruções enviadas via SMS ao telefone.

Essas instruções dadas pelo cibercriminoso dizem à vítima para clicar em um link para que complete o upgrade em seus dispositivos móveis. No entanto, "clicando no link a vítima realiza o download da variante do Zeus para dispositivos móveis (ZitMo)", diz o relatório feito pela Versafe. "O ZitMo foi desenvolvido especificamente para interceptar SMS bancários que contêm o número de autorização da transação".


Esse número é o elemento-chave do processo de autenticação de dois fatores em uma transação feita por Internet banking e uma vez que o Eurograbber intercepta esse número no dispositivo móvel da vítima, ele trabalha em plano de fundo para completar a transação realizada pela organização criminosa, que silenciosamente transfere o dinheiro da conta bancária da vítima para onde os criminosos quiserem.


Burkey disse que o Eurograbber foi identificado em dispositivos móveis Android, BlackBerry e Symbian, bem como em iPhones desbloqueados, nos quais os controles de segurança da Apple foram desativados. Parece que o Eurograbber ainda não foi usado em ataques fora da Europa, mas "não há razão que o impediria de atuar por aqui", disse Burkey.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Senado aprova projeto de lei para combater crimes na internet


O Senado aprovou nesta quarta-feira (31) o Projeto de Lei da Câmara 35/2012, que altera o Código Penal para tipificar como crime uma série de infrações no universo virtual. A proposta, apelidada de “lei Carolina Dieckmann”, foi votada na Câmara em maio deste ano, logo depois que fotos da atriz em poses sensuais foram parar na internet sem sua autorização. Como recebeu emendas no Senado, a proposta segue novamente para a Câmara dos Deputados, onde será revista.

“Ele [o projeto] produzirá uma mudança na utilização da internet no Brasil. Inclusive punir os criminosos que roubaram e distribuíram as fotos da atriz Carolina Dieckmann”, afirmou na época o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS). 

O projeto de lei que tem autoria do deputado Paulo Teixeira (PT-SP) classifica como crime a violação indevida de equipamentos e sistemas conectados ou não à rede de computadores, com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização do titular, ou ainda para instalar vulnerabilidades.

É justamente nessa categoria que se encaixa a história da atriz. Os responsáveis pela publicação teriam invadido o computador de Carolina e roubado as fotos, para então divulgá-las na internet sem sua autorização. Antes da publicação das fotos, a atriz teria sido chantageada.  O processo aberto por Carolina ainda não foi concluído.

Atriz Carolina Dieckmann (na foto, em festa da novela “Salve Jorge”) teve fotos pessoais roubadas e divulgadas na web; projeto criminaliza esse tipo de ação
Atriz Carolina Dieckmann (na foto, em festa da novela “Salve Jorge”) 
teve fotos pessoais roubadas e divulgadas na web; projeto criminaliza esse tipo de ação.

De acordo com o projeto de lei, explica a Agência Senado, os crimes menos graves podem ser punidos com prisão de três meses a um ano, além de multa -- se encaixa nesta categoria a invasão de dispositivo informático, por exemplo.

Condutas mais graves, como obter pela invasão conteúdo de “comunicações eletrônicas privadas, segredos comerciais ou industriais, informações sigilosas” podem ter pena de três meses a dois anos de prisão, além de multa. O mesmo ocorre se o delito envolver a divulgação, comercialização ou transmissão a terceiros, por meio de venda ou repasse gratuito, do material obtido com a invasão.

Segundo a Agência Senado, estima-se que, em 2011, as instituições financeiras tiveram prejuízos de cerca de R$ 2 bilhões com delitos cibernéticos.